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A chegada dos meses de dezembro e janeiro costuma elevar as vendas no comércio e o fluxo de pessoas nas ruas devido ao incremento na renda do consumidor com o 13º salário e as férias, por exemplo. O problema é que esse volume a mais de dinheiro circulando também se torna um atrativo para os criminosos. É justo nesse período que costumam aumentar os chamados crimes de oportunidade, muitas vezes relacionados a residências, pedestres e motoristas.

A assistente social Ana Paula Andrade, 26, foi uma dessas vítimas. Ela teve o celular roubado quando voltava de uma consulta médica. O crime aconteceu no trajeto da parada de ônibus para a casa onde ela mora no DVO, bairro situado entre a Santa Maria e o Gama, ambas regiões administrativas do Distrito Federal. “Não percebi a aproximação do bandido, quando vi ele estava pedindo o celular. Nós mulheres somos mais vulneráveis”, relembra a vítima.

O subsecretário de Gestão da Informação, da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, Marcelo Durante, explica que esse tipo de delito ocorre, muitas vezes, por descuido ou distração da vítima. “Nas celebrações de fim de ano, por exemplo, é muito comum que as pessoas viagem. Por isso, é fundamental que o morador tome algumas medidas para garantir a segurança do imóvel, como a instalação de circuitos de segurança ou mesmo a providência de uma pessoa para não deixar a casa vazia, trancar bem portas e portões”, recomenda.

Outro crime bastante comum diz respeito a falta de alguns cuidados ao parar o carro. “É preciso evitar ao máximo permanecer dentro do veículo em vias públicas e sempre priorizar locais com boa iluminação e circulação de pessoas”, indicou o subsecretário. Durante alertou ainda que falar ao celular, ler um jornal ou mesmo retocar a maquiagem dentro do carro pode ser uma distração suficiente para uma abordagem criminosa.

Para o pesquisador da Universidade de Brasília e especialista em segurança pública, Antônio Testa, alguns cuidados simples podem ajudar a evitar os crimes de oportunidade. “A pessoa precisa adotar um comportamento preventivo. Não é ser paranoico, mas ficar cauteloso ao sair e chegar de casa, ao ir para um estacionamento ou ao usar o celular. Também é preciso evitar ficar sozinho em ambientes mais vulneráveis”, indica o especialista da UnB.

A SSP ressalta, contudo, que não se trata de transferir a responsabilidade pela segurança pública ao cidadão, mas apenas de fornecer dicas de autoproteção para a comunidade. A orientação é baseada no comportamento dos criminosos, que, geralmente, observam o perfil da vítima e o ambiente em que ela se encontra para realizar os delitos.

Reforço na segurança

A Polícia Militar do Distrito Federal conhece bem a realidade dos crimes de oportunidade, sobretudo, a tendência dessa modalidade no fim do ano. Para conter esses índices criminais, a corporação executa há vários anos o chamado Plano de Intensificação Natalina (PIN). A medida consiste em retirar homens do administrativo para reforçar o policiamento nas ruas. São pelo menos 20% de policias de cada batalhão que saem para auxiliar a prevenção desse tipo de crime. “As operações são concentradas, principalmente, nas proximidades de áreas comerciais como feiras, comércios, bancos e shoppings de todo o DF”, como explica o chefe da comunicação social da PM, coronel Helbert Borges.

(SSP/DF, 13/12/2016)